terça-feira, 19 de agosto de 2008

Não me visto.
Olho a pele brilhante dos joelhos dobrados e a secura do sol, sal e água nas pernas e nos pés. A pouca luz mostra-me um carreirinho de pêlos loiros e ainda vejo as sardas salpicadas nos ombros.
O frio vai chegando pelos pés e tornozelos ao mesmo tempo que cai nos ombros e desce pelas costas.
Encolho-me.
Sinto o calor das pernas entrelaçadas uma na outra, da barriga e do peito deitados nas coxas e do braço que envolve o outro quando as mãos não escrevem.
Não chega e os arrepios ganham pele.
Mas não me quero vestir..
Ainda que na penumbra de um lugar escondido, assim sinto melhor o abraço do sol.

On/Off

Tenho o interruptor estragado. Já não decido quando quero e quando não quero. Vou chamar alguém que entenda do assunto. Espero que não mexa noutras ligações e me avarie o resto do sistema.

Não basta o amor

Não basta o amor porque me limito a senti-lo sem o dizer ou mostrar.
Acordo e adormeço a pensar em ti, com a tranquilidade de quem sabe que estás sempre comigo.
Mas eu não estou e não te posso prender se quiseres ir..

Séries

A ideia era que o que nos mantém estáveis é aquilo que esperamos. Os nossos planos sossegam-nos. Os projectos. O caminhar com um trajecto e objectivo definidos.
Não é condenável.
Mas há que dar espaço às surpresas.
Bem visto, o que muda a nossa vida é o inesperado.
Importa viver e saber viver e é precisamente aquilo com que não contamos (em concreto, porque sabe-se que há sempre uma hipótese de as coisas não serem como se prevê) que nos ensina.
Gosto de ter chão, mas daquele que não é fixo nem cria raízes demasiado grandes.
Preciso de férias interiores..

sábado, 26 de julho de 2008

E é assim!

Ni contigo, ni sin ti
tienen mis penas remedio.
Contigo porque me matas
y sin ti porque me muero.

Ouvi dizer..

O verdadeiro amor é reconhecer a nossa alma noutra pessoa.

Cerveja

O anúncio da SuperBock está muito bom. The Story, de Brandi Carlile, é uma música viciante (menos a parte da berraria..) e a selecção de imagens também está muito bem conseguida, não tivessem elas sido gravadas nas ruas do Porto.
A frase que se lê nas costas do menino faz parte de um poema de Vinicius de Moraes numa música de Tom Jobim:
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Tempo

A vida é uma bola de basket a girar no dedo de Deus. Como a Terra no Universo.

8h

Pesam-me as pálpebras como se as tivesse partido.

És má

Vomito as minhas entranhas e estranhas a boca limpa numa insígnia de um mal indecifrável estampada no rosto do sorriso, hoje, nulo.
Não chego a sentir ódio, nem nojo, nem sequer pena.
Empurra-me essa mão que me estendes e mentes com olhares, sussurros e verdades em que acreditas que vives.
Há vida para além de ti. A paisagem continua para lá do olhar.
Não me fitas. A transparência do âmago mostra o reflexo do teu vazio e contrais-te. Bebes o sumo do paraíso e reclamas a patente.
Podia chorar ou gritar ou emudecer o cancro que te sai da vida. Não fui eu. Não foi ninguém. Tão pouco foste tu. Para quê dar milho aos pombos que te corroem?
Vai defecar num abismo só teu, sem olhares de aprovação pela merda que fazes. Não percebes que querem que a engulas?
Sim, talvez seja pena..
Falta pouco.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Fazer asneira

O que é pior? Meter as mãos pelos pés ou os pés pelas mãos?

Acordes

Vestígios de ritmo pelo teu corpo e pautas nas minhas costas.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A gente entende-se

Forgive me if I don't have all the words. Maybe I can sing it and you'll understand.

Ella Fitzgerald

Confusões

Às vezes tu é outra pessoa que não tu.

Filmes

- What happened?
- I fell..
- Are you hurt?
- I fell.. in love!

Tu

Tens o sabor de música, de cor e de uma colher de leite condensado.

Estudos!

Diz-se e com razão: cuidado com o que se deseja.

Nada a fazer

Tocas-me na pele mas não já não desenhas sensações. Quase se sentem as almas, mas não se têm porque não entendem porque não se dão. Somos desconhecidos.

Confere

Tem graça, não me apetece optar por ti.
Podia deitar-me no teu abraço e descansar o corpo.
Mas não descansaria a alma.